Lorenzo Velardi
A tempestade não dava trégua.
A água despencava do céu com uma fúria quase divina, como se o próprio universo tivesse decidido despejar sobre mim todo o peso daquilo que eu tentava esconder até de mim mesmo. A chuva batia contra o pára-brisa com a violência de mil verdades que eu não queria encarar. Era intensa, implacável, quase punitiva. O tipo de chuva que parecia querer arrancar da pele e da alma tudo o que já não servia mais. Mas nem toda aquela água, nem mesmo um dilúvio,