O jantar começou com um silêncio apenas educado.
Dora entrou na sala de jantar com Kali nos braços, murmurando algo baixo para a criança, e a retirou do espaço com a naturalidade de quem conhecia bem o ritmo da casa. A porta se fechou atrás delas, deixando Natan e Jackson sozinhos à mesa grande demais para duas pessoas.
A comida fora servida com cuidado excessivo. Talheres alinhados, pratos organizados, nada fora de lugar. Natan apreciava esse tipo de organização.
Jackson se acomodou na cadeira com a tranquilidade provocadora de quem fazia daquele espaço quase uma extensão da própria casa.
— Você continua comendo como se estivesse em uma reunião — comentou, pegando o copo. — Relaxa. Ninguém aqui vai te demitir.
Natan lançou-lhe um olhar seco.
— Você apareceu sem avisar — respondeu. — Pelo menos tenha o bom senso de não transformar isso num espetáculo.
Jackson riu.
— Sem avisar é parte do meu charme. Além disso, você anda difícil. Sumido. Silencioso. Quase introspectiv