Jackson chegou pouco antes das dezoito, como sempre fazia: sem aviso prévio, sem pedir permissão e com a confiança de quem nunca se sentiu deslocado naquela casa.
O primeiro a recebê-lo foi o som da própria risada.
— Dora! — anunciou, abrindo os braços assim que a viu no corredor. — Você continua salvando essa casa do completo colapso emocional?
Dora levou a mão ao peito, fingindo indignação, mas aceitou o abraço com gosto.
— Jackson Arant, você ainda vai me dar um ataque — disse, rindo. — O que faz aqui dessa vez?
— Vim jantar — respondeu, como se fosse óbvio. — E ver minha sobrinha preferida.
— Natan sabe disso?
— Saber não é exatamente necessário — ele respondeu, piscando. — Avisado, talvez. Mas como ele não atende o telefone, improvisei.
Dora balançou a cabeça, divertida.
— A Kali está na sala. Vou buscá-la.
— Não precisa — Jackson disse, já caminhando. — Eu conheço o caminho.
Encontrou Kali sentada no tapete, cercada de brinquedos. Assim que o viu, ela abriu um sorriso