O dia foi longo, mas previsível.
Natan retornou do escritório pouco depois das sete da noite. Reuniões resolvidas, decisões tomadas, nada que exigisse mais do que o costumeiro controle. A casa o recebeu com sons conhecidos: vozes baixas vindas da cozinha, o arrastar leve de cadeiras, o som intermitente de um desenho infantil ao fundo.
Tudo funcionando.
Ele deixou as chaves sobre a mesa e passou os olhos pela sala antes de seguir para o escritório. Não encontrou Ana.
Não era estranho. Ela voltara à faculdade havia algumas semanas, e os horários deixaram de coincidir com a frequência de antes. Ainda assim, a ausência não passou despercebida.
No escritório, abriu o notebook e trabalhou por quase duas hora sem interrupções. Ao sair, a casa já estava mais quieta. Kali dormia. Dora organizava algo na cozinha.
— A Ana ainda não chegou? — perguntou Natan, casual, enquanto pegava um copo de água.
Dora ergueu o olhar apenas o suficiente.
— Deve chegar em breve. Hoje ela ficou at