A faculdade de Ana começava às dezenove e trinta.
Era um detalhe simples, mas organizava todo o resto do dia. As tardes passaram a seguir uma sequência precisa: cuidar de Kali, alinhar a rotina da casa, deixar tudo encaminhado antes de subir para se trocar. Nada ficava solto. Não havia espaço para improvisos.
Naquela tarde, quando desceu para a cozinha pouco depois das cinco, encontrou Dora concentrada no tablet, revisando o planejamento da semana.
— Boa tarde — Ana disse.
— Boa tarde — Dora respondeu. — Já está quase no horário de sair, não?
— Ainda tenho um tempo.
Ana pegou um copo d’água e, ao se virar, notou outra vez o quadro branco preso à parede lateral. Os horários continuavam ali. Ajustados. Precisos demais.
FACULDADE — SAÍDA 18H40
RETORNO — PREVISTO 23H30
Ela leu em silêncio.
— Dora — chamou, mantendo o tom estável. — Esse ajuste foi o senhor Roman?
Dora assentiu, sem hesitar.
— Ele pediu para alinhar os deslocamentos. Disse que prefere evitar imprevistos à noite