Era quase meia-noite quando Ana saiu do banho.
O cabelo ainda úmido escorria pelas costas, a camisola simples colando levemente à pele por causa do vapor que ainda permanecia no banheiro. A casa estava quieta, daquele silêncio que se instala quando os corredores parecem longos demais e cada som ganha peso.
Ela apagou a luz com cuidado.
Foi então que ouviu.
Não era um choro aberto. Um resmungo irregular, curto, seguido por um gemido baixo vindo do quarto de Kali. O tipo de som que não permite indiferença. Não urgente, mas insistente.
Ana parou por um instante no corredor.
Mayra teria aparecido antes mesmo de o choro se formar. Dora, certamente, já estaria ali. Mas não havia passos. Nenhuma porta se abrindo. Nada além do som contido da criança.
Ela respirou fundo e seguiu.
Bateu duas vezes de leve antes de empurrar a porta.
— Mayra? — chamou, baixo.
A resposta veio apenas no segundo seguinte, quando ela abriu o suficiente para olhar.
Natan estava de pé ao lado do berço, Kali