(POV: Natan)
Natan chegou em casa por volta das seis da tarde.
O dia tinha sido longo demais para um horário tão comum. Ele estacionou em frente à casa, desligou o motor e permaneceu alguns segundos dentro do carro, as mãos ainda apoiadas no volante. Não era cansaço físico. Era a sensação incômoda de chegar a um lugar que deveria funcionar como contenção, e falhar nisso.
Entrou.
A casa estava silenciosa. Luzes apagadas na sala, nenhum ruído vindo da escada, nenhuma presença nos espaços comuns. A primeira percepção foi objetiva: Ana não estava ali naquele momento.
A constatação veio rápida demais para ser ignorada.
Ele deixou as chaves sobre a mesa, tirou o paletó e seguiu até a cozinha, serviu um copo d’água, bebeu em pé. Tudo exatamente onde deveria estar. Organizado. Previsível.
Ainda assim, algo permanecia fora do lugar.
Foi para o escritório, abriu o notebook, respondeu dois e-mails sem atenção real e fechou a tela com um suspiro controlado. Estava considerando subir para