Eu ainda estava acordada.
O sono se recusava a vir desde o momento em que fechei a porta do meu quarto. Meu corpo permanecia em alerta, sensível demais, como se cada nervo estivesse esperando algo. Ou alguém.
Levantei-me, incapaz de permanecer deitada. Caminhei até a cozinha em silêncio, buscando água, ar, qualquer coisa que me distraísse dos pensamentos que insistiam em retornar ao mesmo ponto: Victor.
Eu sentia quando ele estava por perto antes mesmo de vê-lo.
Foi assim naquela noite.
— Não conseguiu dormir — disse ele atrás de mim, a voz baixa, firme, próxima o suficiente para arrepiar minha nuca.
Meu corpo reagiu antes da mente. Um leve sobressalto. Um suspiro contido.
— Não — respondi, mantendo os olhos na pia. — Acho que ainda estou me adaptando.
Ele se aproximou sem tocar. Ainda assim, senti o calor da presença dele às minhas costas, dominante. A cozinha parecia menor. O ar, mais pesado.
— A casa exige isso — murmurou. — Adaptação não é uma escolha aqui. É uma consequê