Mundo de ficçãoIniciar sessão
Introdução
Eu não estava procurando um emprego. Eu estava procurando uma saída. As contas se acumulavam, os avisos se tornavam cada vez mais urgentes, e a sensação de fracasso me acompanhava até nos momentos de silêncio. Quando a vaga surgiu, contratação imediata — não fiz perguntas demais. Respondi ao anúncio imediatamente. O endereço era isolado, mas o salário era alto; no momento, isso era suficiente. A casa ficava longe da cidade, escondida entre árvores altas e uma estrada estreita que parecia não levar a lugar nenhum. Assim que a vi ao longe, a Mansão Rocha se erguia como um monumento silencioso sobre a colina: isolada, imponente, fria. Jamais imaginaria que um simples anúncio de emprego pudesse me levar até aquele portão preto e imponente, muito menos que encontraria uma vida inteira à espera de minhas decisões atrás das paredes de pedra. Mas eu precisava desse emprego. Desesperadamente. Cada conta, cada dívida, cada sonho não realizados pesava mais do que a própria coragem. Quando Victor Rocha apareceu para a entrevista — elegante, sério, frio — e mencionou a razão da contratação, cuidar de sua filha, Mel, senti como se uma luz tivesse se acendido no fim do túnel. Mel era uma menina de sete anos, doce, meiga, cheia de energia e curiosidade, mas que se retraía sob o rigor do pai. Senti imediatamente uma conexão, uma necessidade de proteger aquela pequena vida que parecia perdida entre regras e silêncio. Não imaginaria que, ao cruzar o portão da mansão, eu não entraria apenas em um trabalho, mas em um mundo onde controle, desejo e perigo se misturavam — algo que pairava no ar e no olhar daquele homem sobre mim. Capítulo 1: Emily O carro rangeu no portão da Mansão Rocha, e meu coração disparou. Tive a sensação de que não estava entrando apenas em uma casa, mas em algo que prometia mudar minha vida de maneiras que eu ainda não conseguia compreender. O anúncio dizia “babá residente” e oferecia muito mais do que eu esperava. Mas dinheiro não é tudo — ou talvez, naquele momento, fosse exatamente tudo. A estrada estreita se perdia entre árvores altas, e a mansão surgia cada vez maior, silenciosa e impassível, como se me observasse, avaliando cada passo meu antes mesmo de eu atravessar o portão. Respirei fundo. Cada fôlego era pesado, carregado de expectativa e medo. Por que aquela oportunidade parecia tão perigosa e irresistível ao mesmo tempo? Então ele apareceu. Victor Rocha. Alto, impecável, frio. Nada em seu semblante entregava gentileza, mas havia algo que pesava mais que qualquer sorriso poderia oferecer: poder. — Emily Carter — disse, olhando-me como se pudesse enxergar dentro de mim. — Sim — respondi, engolindo em seco, tentando soar confiante. — A vaga é para cuidar da minha filha — explicou, direto. — Ela se chama Mel. Sete anos. Alegre, curiosa, mas precisa de limites. Meu estômago apertou. Já sabia que aquela menina seria o centro de tudo. Meu trabalho, minha culpa, minha responsabilidade… e, talvez, minha razão para ficar. Victor me conduziu pelo corredor longo, cada passo ecoando na casa silenciosa. O ar parecia mais pesado, quase carregado de expectativa. Ele não me dava sorrisos; apenas observava. Cada detalhe, cada hesitação minha, parecia registrado. Finalmente, chegamos a uma sala iluminada por uma luz suave. No centro, Mel brincava com bonecas, concentrada, como se nada pudesse quebrar aquele momento. Assim que me viu, os olhos dela brilharam, e um sorriso tímido se abriu: — Oi… você vai brincar comigo? — perguntou, voz doce e meiga. Agachei-me para ficar na altura dela. — Oi, Mel! Claro que sim. — Senti um aperto no peito, consciente de que aquela pequena vida agora dependia de mim. Victor permaneceu à porta, observando, quase imóvel. — Ela só se abre assim quando se sente segura — disse. — Precisa que continue assim. Silêncio e controle são essenciais. Mel aproximou-se e segurou minha mão com delicadeza. — Você vai ficar comigo? — sussurrou. — Vou sim, Mel — respondi, sentindo uma mistura de proteção e receio que não conseguia decifrar. Victor me lançou um último olhar antes de se afastar. — Aceita mais do que um emprego — disse. — Aceita responsabilidade total: rotina, cuidado… e, principalmente, ela.






