ABEL ARRUDA
A mansão Castro sempre foi um labirinto de espelhos, mas ultimamente, as imagens refletidas estavam distorcidas demais. Heitor estava perdendo o controle — não o controle dos negócios, que ele geria com a precisão de um carrasco, mas o controle de si mesmo. E tudo por causa de Valentina. Ou seja, lá quem aquela mulher fosse de verdade.
Eu estava encostado na mureta do jardim lateral, fumando um cigarro que eu sabia que deveria evitar, quando vi o carro. Um sedã escuro, comum demais