Parte I — Heitor Castro
Entrar na mansão nunca me pareceu tão opressor. Atravessando o corredor em direção ao meu quarto, cada retrato nas paredes, cada peça de arte cara comprada com o dinheiro da Global, parecia zombar da minha ignorância. Entrei no quarto sem cerimônia, o corpo pesado como se eu carregasse o chumbo de todas as balas que já disparei em nome dos Arruda.
Valentina estava lá. Ela não estava dormindo; estava sentada na penumbra, o brilho pálido da lua entrando pela janela e con