Matteo Mancini
O silêncio sempre me obedeceu.
Durante anos, bastava a minha presença para que a casa se curvasse. Passos cessavam. Vozes diminuíam. Olhares se abaixavam.
Eu era a ordem. Eu era a regra. Eu era o medo necessário.
Mas naquela manhã… algo estava errado.
Ouço risadas antes mesmo de descer as escadas.
Risadas.
Na minha casa.
Aperto o copo de café com força demais, sentindo o estalo fino da porcelana sob meus dedos. Não quebra, mas quase. Como eu.
Desço.
As crianças estão espalhadas