Não consegui dormir naquela noite.
Virei de um lado para o outro, consciente demais do silêncio da casa, do ritmo da respiração nos quartos ao lado e do peso das coisas que ainda estavam exatamente onde sempre estiveram. Cada móvel no mesmo lugar. Cada fotografia na mesma parede.
Tudo fingindo que nada ia mudar.
O relógio avançava devagar demais para alguém que já tinha entendido que não descansaria.
Quando desisti de fingir sono, o céu ainda estava escuro.
Levantei devagar, coloquei um casaco