OLHOS DO ABISMO

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antoniodosanjos11  En proceso
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Resumen
Índice

Aos quarenta anos Melissa Vargas não imaginava que pudesse se apaixonar novamente. Conheceu o sofrimento ainda criança, e quando chegou à vida adulta, fugiu da casa da tia, onde morava desde que fora abandonada pela mãe. Conheceu o lado triste da exploração e humilhação, depois, o mundo da prostituição. O casamento com um poderoso coronel faz nascer uma oportunidade para recomeçar sua vida, mas seu mundo desmorona quando descobre que o marido tem uma amante e depois, quando ele é encontrado morto após cair do penhasco nas proximidades de uma enigmática igreja de pedra. As coisas pioram quando Melissa é acusada do assassinato do próprio esposo. Ela busca suportar todo o sofrimento contando com o único amigo que tem: o sogro, que sofre de Mal de Alzheimer. A realidade muda com a chegada do misterioso Galeano Silveira. Balançando o coração de Melissa ele vai penetrar cada vez mais numa rede de intrigas, amor, traição e guerra de interesses entre fazendeiros e políticos. Quem matou o coronel Manoel Vargas? O que verdadeiramente se esconde por detrás das luzes fantásticas da lendária igreja de pedra?

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56 chapters
CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 1   Quando Melissa conseguiu colocar o último bezerro no curral o sol já se escondia lentamente no horizonte, anunciando que a noite já estava se aproximando. Enxugou o suor do rosto com os punhos da camisa que usava todos os dias para se proteger do sol e respirou fundo. Desde que assumira o controle da fazenda, aquela era a sua rotina: acordava às cinco horas da manhã, tirava o leite das três vacas e depois as levava para o pasto junto com os três bezerros e o reprodutor. Em seguida seguia para o roçado, voltando ao meio-dia. No período da tarde ficava na residência principal da fazenda, cuidando do lar e da horta nos fundos do casarão, sempre acompanhada pela cadela siberiana pérola, presente que ganhara do sogro. A solidão só não era infinita porque em um casebre próximo dali, residia o sogro. Após a morte do marido, ela tentara várias vezes sem êxito trazê-lo para morar com ela. Todas as noites antes de dor
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CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 2   O sol emitia os primeiros raios da manhã quando Galeano saía do estacionamento da pousada de beira de estrada em que havia passado a noite. Calculara mal a distância e agora precisava voltar para a estrada. Estava ansioso para chegar, pois havia escutado muitas histórias interessantes sobre a igreja de pedra. Entre as muitas versões que ouvira, uma dizia que em noite de lua de cheia, focos de luzes coloridas dançavam no interior da igreja, e mesmo no ápice da alta temperatura o local era totalmente refrigerado. Não conseguia entender como era possível numa região semiárida, escassa de chuva e atingida pelo forte calor, existir um lugar imune às variações climáticas. Precisava descobrir o que estava por trás das lendas. Ligou o som do veículo e acelerou, verificando uma vez ou outra o mapa rodoviário. Olhou as anotações que pegara com algumas pessoas que encontrou ao longo da viagem e seguiu à risca todas as orientações. ***<
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CAPÍTULO 3
CAPÍTULO 3   Sentada na varanda, tomava café com leite, contemplando as luzes das cidades circunvizinhas. Pérola encolhida próximo dela. Era vantajoso morar no cume da serra, tinha toda a ribeira ao alcance dos olhos. Fora feliz, disso não tinha dúvidas. Mas, desde que o esposo arranjara uma amante, o descontrole visitou seu casamento. Aos quarenta anos não tinha mais ambições na vida. Agradecia muito ao falecido por ter sido resgatada da prostituição, mas, ao mesmo tempo, o culpava por tanto sofrimento. A esperança de ser absolvida era inexistente. Se pelo menos tivesse dinheiro para pagar um advogado particular. O único bem que tinha era uma fazenda falida que nem podia vender por causa da hipoteca. O frio acompanhado da névoa bailava dificultando a visão, impossibilitando continuar contemplando as luzes das cidades. Era hora da visita. Não demorou muito para chegar ao casebre onde encontrou o sogro na calçada, sentado no velho tambore
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CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 4   Há três dias chegara à Silvestre. A chuva não dava trégua. Para não ficar alheio, passava o dia lendo no quarto, ou no salão, bebendo alguma coisa. Na noite anterior esteve com a moça que trabalhava na mercearia de Genaro, a mesma moça que lhe indicara a pensão no dia de sua chegada ao povoado. Estava lendo Pássaros Feridos de Colleen Mccllough quando uma voz desviou sua atenção. — Posso sentar-me aqui? — perguntou a recém-chegada. — Não há mesas vagas — complementou em seguida. Galeano desviou a atenção do livro e voltou seus olhos em direção a voz, reconhecendo a dona. — Fique à vontade — disse-lhe. A moça sentou-se de frente a ele e chamou a garçonete pelo nome. — Teresa! — não demorou muito e logo foi atendida. — Pois não, senhora — falou a garçonete. — Traga-me um café com leite. — É para já — a garçonete saiu e pouco tempo depois retornou com o pedido. —
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CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 5   Melissa sentiu uma lágrima descer na face. Guardou a revista que encontrara naquela manhã junto de uns objetos obsoletos. Desde a noite anterior ficara preocupada com Severino. Percebeu que ele perguntava sobre fatos acontecidos há muitos anos e não conseguia lembrar assuntos recentes. Referia-se ao filho como se ele ainda estivesse vivo. Quando ele foi dormir, não conseguiu trocar de roupa. Ela o ajudou a vestir uma camisa de frio e a tirar os chinelos. Cada vez mais sentia a necessidade de saber mais sobre a doença que aos poucos devorava seu único amigo. Quando retornou ao casarão procurou incansavelmente pela antiga revista que continha um artigo explicando passo a passo o Mal de Alzheimer. Após ler novamente o artigo, teve certeza que o coronel Severino Vargas estava vivendo a segunda fase da doença. Talvez ela não estivesse ao seu lado quando ele adentrasse na terceira fase. Não conseguiu mais conter o choro. Escondeu o rosto
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CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 6   Parecia o cenário de um filme de faroeste. O vilarejo estava deserto, exceto por alguns cães passeando pela rua e bêbados cambaleando pelas calçadas ou adormecidos aos pés das paredes. Se não fossem os bares em pleno funcionamento, qualquer um diria que ali era um povoado fantasma. Galeano estacionou a moto sob a sombra da marquise da pensão. Antes de entrar olhou em volta. A poeira conduzida pelo vento o fez proteger os olhos com a mão. Por uma fração de minuto percebeu um vulto se esgueirando pelas sombras das residências. Assim como surgiu, também desapareceu. Focou o olhar na direção onde estava o vulto, mas havia desaparecido. Poderia estar sendo seguido, ele pensou. Rapidamente descartou a possibilidade. Entrou no salão da pensão, passando direto para o quarto. Naquela noite não desceu para jantar, informou à Carminha que não queria ser incomodado. Pouco tempo depois uma batida na porta o fez ficar alerta. Ficou em silêncio a
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CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 7 Aquele lugar era seu refúgio e fortaleza, amava incondicionalmente aquele lar. Muitas vezes se encontrava inundada em lágrimas pela real possibilidade de ser condenada e deixar aquele pedaço de chão para sempre. Sabia que as recordações lhe acompanhariam para qualquer lugar. Odiava-se por não tentar procurar alguma prova que ajudasse na defesa. A casa era enorme e nunca procurara pelo cofre que ficava escondido no escritório, aliás, para isto era preciso primeiro encontrar a chave. Ela nunca conseguiria arrombar aquela porta fabricada de cedro, a árvore mais resistente da região. Nos primeiros dias após a morte do esposo, procurou a chave como uma louca busca sair do sanatório. Depois de sucessivos fracassos, desistiu e se conformou com a situação. Ocupava o tempo cuidando do sogro e aproveitando cada minuto que lhe restava
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CAPÍTULO 8
CAPÍTULO 8   Quase não conseguira dormir. Mesmo fechando a porta do quarto à chave não se sentia segura com um estranho dormindo sob o mesmo teto. Melissa havia deduzido várias hipóteses de quem realmente era o recém-chegado. Ele poderia ser realmente quem disse ser, mas também poderia estar ali a mando de alguém que desejasse vê-la morta. Talvez fosse um policial disfarçado, investigando a sua real culpa pelo assassinato de Manoel Vargas. Quando acordou naquela manhã o visitante não se encontrava mais na sala, onde dormira no desconfortável sofá. Tomada por um impulso correu para o terreiro e constatou que a moto permanecia no mesmo lugar onde fora deixada no dia anterior. Deduziu que ele pudesse ter ido buscar um mecânico no povoado. Sentia-se estranha. Um sentimento irreconhecível tomava forma. Tentou não pensar nele, mas poucos minutos depois estava criando a imagem dele nas recentes lembranças. Resolveu ocupar a mente com os
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CAPÍTULO 9
CAPÍTULO 9   Era a capitã do próprio mundo, permitindo o naufrágio de toda a tripulação. Dona das sagradas paisagens que a mente inventara para enganar as besteiras de uma sociedade hipócrita comandando um sistema ainda mais hipócrita, regido por certas leis determinando que a liberdade deve sempre existir. Não era aplicado ao seu caso. Melissa constantemente se revoltava com as regras que a justiça lhe aplicara. Enquanto o veredito não saísse ela estava proibida de sair da própria casa. A solidão lhe consumia dia após dia. Muitas vezes agradecia a Deus por ter o sogro próximo, mesmo desmiolado era uma boa companhia. Em outras oportunidades culpava Deus por tanto sofrimento. Estava cansada e se pegara inúmeras vezes pensando em suicídio. Estranhamente, se sentia feliz com a presença do fotógrafo em sua casa. Não dissera nada a Severino. Desde cedo estava frustrada pela ausência dele. “Não posso ficar neste jogo de nervos e ne
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CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 10   Olhou o relógio, eram cinco horas da manhã. Pensou dormir mais uma hora. Vozes discutindo o fizeram levantar rapidamente. Já devidamente vestido saiu em busca do local de onde vinham as vozes. Deu a volta pela lateral da casa e viu um homem de estatura mediana, gordo, bigode espesso cobrindo o lábio superior. Usava calça e camiseta militar. Aproximou-se com cautela até uma distância que lhe permitia ouvir claramente. Entedeu claramente a situação: a cadela permitiu que aquele homem entrasse por ser alguém conhecido. — Por favor, me deixe em paz — falou Melissa arrumando o cabelo. — Já lhe disse mais de uma vez que no momento não estou a fim de encontros. — Você se faz de difícil, mas, deitava com qualquer um em troca de uns centavos quando morava no cabaré. — Seu porco imundo. Não permito tal liberdade... — os soluços afogaram as palavras de Melissa. — Por favor, me deixe terminar de tirar o leite. C
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