Narrado por TheoExistem lugares em São Paulo onde a justiça não entra. Pelo menos, não a justiça de toga e bandeira. Mas eu aprendi a andar por esses cantos. Aprendi a sobreviver.Naquela noite, eu me infiltrei em um dos encontros clandestinos promovidos por ex-policiais, agentes “aposentados” à força — ou mantidos por redes obscuras. Eles se reúnem em galpões abandonados, fingem que jogam cartas, mas o que rola ali é tráfico de informação, lavagem de dinheiro e, às vezes, julgamentos silenciosos de quem deve viver ou morrer.Helena queria ir. Disse que podia ajudar. Mas ali não era lugar para esperança. Era lugar de monstros.Fui sozinho.Entrei com o capuz abaixado, olhos atentos. Fui cumprimentado por um ou dois que me conheciam de operações antigas. Dei uma desculpa qualquer sobre "estar insatisfeito com o sistema" e logo me deixaram sentar.Foi quando vi ele. Sentado à mesa do canto, óculos discretos, barba por fazer, jogando cartas como se não estivesse prestando atenção
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