Do alto da sede da Prado Construtora, os vidros fumês da sala de reuniões emolduravam São Paulo como uma fotografia parada — mas para Júlio Prado nada naquela manhã parecia imóvel.O ar-condicionado parecia congelar os ossos, e ainda assim um suor frio escorria por sua nuca, denunciando uma tensão que ele vinha tentando esconder havia dias.Na cabeceira da mesa, seu pai, Edgar Prado, batia os dedos na madeira de mogno com impaciência, o anel de ouro produzindo um estalido seco a cada golpe. Era o mesmo gesto que Júlio conhecia desde menino — o prenúncio de uma tempestade.— Se a mídia descobrir que o Residencial Splendor está com rachaduras estruturais na fundação, as nossas ações despencam antes do fim do dia, Júlio! — esbravejou o patriarca, com a voz rouca. — Nós precisamos calar esses moradores. Compre o silêncio deles!— Não é tão simples, pai. Não são apenas rachaduras — Júlio respondeu, a voz grave carregada de exaustão. Ele afrouxou o nó da gravata, sentindo-se sufocado, e por
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