CAPÍTULO 8: Desejo proibido

Lá embaixo, Roberta bufou e levantou-se da mesa de jantar, marchando em direção à biblioteca da mansão sob o olhar desconfiado de Marta. Assim que entrou no cômodo escuro, a porta foi trancada por trás dela. Duas mãos fortes a puxaram pela cintura, colando seu corpo ao de Jonas Prado.

— Você está atrasada — Jonas sussurrou contra o pescoço dela, destilando um desejo possessivo.

— Aquela velha insuportável estava me cobrando um herdeiro de novo, você ouviu sua mãe na mesa de jantar — Roberta sibilou, puxando Jonas pelo colarinho para um beijo ardente, necessitada de extravasar a raiva.

O contato entre eles era puramente carnal e descompromissado.

— Júlio nem me toca há meses. Se nós não resolvermos isso logo, Jonas... se eu não engravidar para garantir um herdeiro, o império do seu pai vai ruir antes que possamos colocar as mãos no dinheiro e você se sentar na presidência da empresa.

Jonas não respondeu com palavras. Ele a empurrou contra a estante de livros antigos, o baque surdo abafado pelo carpete grosso da biblioteca. Suas mãos subiram pela lateral do corpo dela, encontrando o zíper do vestido e puxando-o para baixo com uma urgência quase raivosa, como se pudesse arrancar dela, junto com o tecido, toda a irritação acumulada naquele jantar.

— Cala a boca, Roberta — ele rosnou contra os lábios dela, antes de tomá-los de novo, com mais fome do que carinho.

O vestido escorregou pelos ombros dela e caiu no chão da biblioteca, entre livros de capa dura que quase ninguém daquela casa jamais lera. Roberta soltou um gemido baixo quando as mãos de Jonas percorreram sua pele nua, sem gentileza, apenas posse. Ela arranhou as costas dele por cima da camisa social, puxando-o mais perto, como se quisesse provar — a si mesma, mais do que a ele — que ainda era desejada por algum Prado, mesmo que fosse o errado.

Jonas a ergueu pela cintura, sentando-a sobre a mesa de mogno da biblioteca, empurrando para o lado uma pilha de contratos esquecidos ali. Ele afastou as pernas dela com um movimento impaciente, o desejo sobrepondo qualquer resquício de cautela.

Não havia romantismo naquele encontro — havia apenas dois corpos afundados na mesma lama, usando um ao outro para esquecer, por alguns minutos, o próprio desprezo que sentiam de si mesmos.

— Se apressa — Roberta ofegou, puxando-o pelo cinto com impaciência.

Ele obedeceu, e o que se seguiu foi rápido, intenso e desprovido de qualquer ternura — um ato movido puramente por raiva, tédio e a adrenalina perigosa de trair debaixo do mesmo teto onde o marido dela dormia sozinho no andar de cima. Do outro lado da porta trancada, a casa seguia seu curso normal — passos de empregados, o som distante da televisão na sala de estar —, completamente alheia ao que acontecia entre os livros nunca lidos daquela biblioteca.

Cada movimento carregava mais desespero do que prazer, mais cálculo do que entrega. Quando terminou, Roberta estava deitada na mesa e os dois ficaram parados por um instante, respirando pesado, encarando-se como dois cúmplices que acabavam de cometer o mesmo crime.

Jonas já havia saído de dentro dela, fechado sua calça, discretamente guardou algo no bolso e correspondeu ao beijo final que ela lhe deu, e mais uma vez, sentiu um gosto amargo na boca.

Ele se afastou, ajeitando a camisa, e olhou para Roberta se recompondo com um distanciamento calculista, percebendo o quanto era usado apenas como um peão no jogo dela.

— E se eu estiver cansado de ser o seu segredo, Roberta? — Jonas perguntou, a voz subitamente séria.

— Você faz o que eu mando, Jonas — Roberta respondeu, seca, ajeitando o batom borrado e o vestido amassado. — Ou esqueceu que está tão enterrado nessa lama quanto eu?

Jonas não respondeu. Apenas observou-a destrancar a porta e desaparecer corredor afora, o salto alto ecoando com a mesma segurança fria de sempre, enquanto ele permanecia ali, sozinho entre os livros, tentando entender exatamente quando havia deixado de ser o homem no comando daquele jogo.

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