Não posso continuar ali.Não depois do que aconteceu.Não depois do que eu permiti.Não depois de descobrir, da maneira mais humilhante possível, que bastava Thomas me tocar para tudo em mim vacilar.Meu dedo paira sobre o mouse por um instante.Depois eu clico.Enviar.O som quase inaudível da mensagem partindo parece alto demais.Fico imóvel por alguns segundos, olhando para a tela como se ela pudesse voltar atrás por mim.Não volta.Passo a tarde recolhendo o pouco que era meu. Algumas canetas, dois livros, uma foto antiga dentro de um porta-retrato discreto, um cachecol esquecido no fundo da gaveta. Objetos pequenos. Leves.Mesmo assim, a caixa parece pesada demais nos meus braços.No RH, a conversa é rápida e cuidadosa. Tentam entender. Perguntam se há algum problema. Oferecem tempo, condições melhores, remanejamento. Eu recuso tudo com a calma ensaiada de quem sabe que, se abrir uma fresta, não sai mais dali.Quando deixo a sala, os papéis ainda seguem o fluxo da empresa, mas a
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