A luz da manhã na Fortaleza de Obsidiana nunca era realmente clara. Era um cinza sujo, filtrado pelas frestas de pedra, que parecia roubar as cores do mundo.Acordei com o corpo dolorido, enrolada nas peles de carneiro fedorentas da minha cela. A minha pele ainda formigava. O fantasma do toque do Rei do Norte — o peso das mãos dele, o hálito de menta selvagem e a respiração pesada contra o meu pescoço — estava impregnado na minha mente como uma tatuagem. Meu baixo ventre deu uma pontada traiçoeira, uma lembrança física da humilhação e do desejo que ele arrancou de mim na noite anterior.Esfreguei o rosto com as mãos calejadas, expulsando a imagem dos olhos dourados dele. Eu estava viva. O sol tinha nascido, e o meu pescoço continuava intacto. Mas a fome crônica, aquela dor aguda que torcia o estômago, bateu na porta com a força de um aríete. E dessa vez, eu não estava pensando só na minha barriga. Tinha três crianças órfãs num quarto em algum lugar daquele castelo gelado que acordaria
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