O silêncio que se instaurou no quarto não era o silêncio pesado da Fortaleza, mas a calmaria trêmula de um animal selvagem avaliando o terreno.Soren continuou parado na soleira da porta por longos segundos. A neve fina derretia nos ombros do manto escuro dele. Eu esperei que ele desse as costas, que o monstro voltasse para as sombras do castelo onde as emoções não podiam alcançá-lo.Mas ele não recuou.Com um movimento lento, ele desfez o fecho de prata do manto e deixou a pele pesada cair no chão de pedra. Os coturnos bateram nas lajotas. Cada passo dele em direção à lareira fez a dinâmica do nosso refúgio mudar.O garotinho de cinco anos no meu colo sentiu a vibração no chão. Ele abriu os olhos e, no instante em que viu a figura colossal do pai se aproximando, o corpo inteiro dele enrijeceu. Ele soltou um ganido assustado e afundou o rosto ainda mais no meu pescoço, os dedinhos cravando na lã do meu vestido.Elara encolheu os ombros, puxando o cobertor de urso até o queixo, os olho
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