Tentou voltar à lógica. Contratos. Operações. Protocolos. Reuniões. Mas a imagem dela surgia por cima de tudo: as mãos pequenas segurando a parafusadeira, o esforço contido, a respiração pesada, o coque solto, a poeira escura na pele clara e aqueles olhos brilhando no meio da sujeira.Ele apertou a mandíbula com força.(Ridículo. Ela é só uma secretária. Uma funcionária. Por que diabos estou aqui, parado no escuro, pensando na boca entreaberta dela enquanto respirava com dificuldade?)No banheiro, sob a luz branca e impiedosa do espelho, encarou o próprio reflexo. Frio. Calmo. Impenetrável. Mas os olhos dele agora carregavam uma tensão diferente — algo profundo, silencioso, que ele não reconhecia e não queria reconhecer.Soltou o ar devagar, irritado.“Ela não percebeu nada disso.”Significava: ela não percebeu o impacto físico dele, não percebeu a força, não percebeu o estado dele, não entendeu a quebra de protocolo, não entendeu a humanidade daquele ato.E isso… pegou nele. Mais do
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