A suíte do corredor leste era confortável demais para uma crise.Tinha cama grande, travesseiros altos, uma manta clara dobrada no pé do colchão e um silêncio tão educado que parecia treinado por Helena. O ar cheirava a flor branca e lençol novo. Nada ali rangia, nada estava fora do lugar, nada lembrava minha casa, minha mãe, Rafael ou qualquer uma das bagunças que tinham me levado até aquele ponto. Era um quarto sem passado. Em tese, perfeito para pensar.Na prática, odiei.Tomei banho, vesti a camisola, deitei, levantei, abri a cortina, fechei a cortina, mexi no celular, joguei o celular longe, peguei de volta porque eu não era uma mulher tão evoluída assim. A cada minuto, eu lembrava que no outro quarto havia uma mesa de cabeceira com a foto da minha mãe. Havia também Rafael. Não necessariamente nessa ordem, o que já era um problema moral considerável.Minha mãe ligou pouco depois das dez.— Você está com voz de quem arrumou confusão — ela disse, sem oi.— Boa noite para a senhora
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