— Então fica sem eu dizer nada.A frase de Rafael ficou no ar da suíte com uma calma indecente. Era o tipo de frase que não empurrava, não cobrava, não fazia escândalo, e talvez por isso fosse tão difícil de ignorar. Eu estava perto da janela, de sandália na mão, cabelo solto, corpo cansado depois de um dia que começou com distância e terminou comigo entrando de novo no quarto dele por vontade própria. A cama estava ali, enorme e arrumada, com a foto da minha mãe na mesa de cabeceira, como se nada tivesse mudado. O problema era que muita coisa tinha mudado.— Você fala como se fosse simples — murmurei, sem olhar para ele.— Não acho simples.— Parece.— É porque estou tentando não complicar mais.Ri baixo, porque a tentativa dele de não complicar já era uma complicação inteira. Rafael estava perto da porta, uma das mãos ainda apoiada na madeira, como se tivesse parado ali para não avançar. A camisa escura estava um pouco amassada, as mangas dobradas, o colarinho aberto. Depois de vê-l
Leer más