Às seis e cinquenta e oito da manhã, eu já estava no corredor.Isso, por si só, devia constar em ata. Eu nunca fui uma pessoa naturalmente matinal. Sempre achei suspeito quem acorda cedo demais com disposição, como se tivesse feito acordo com alguma força obscura. Mas, naquela casa, sete da manhã parecia tarde. Do andar de cima, a mansão ainda parecia adormecida, com os quartos fechados, a luz macia entrando pelas janelas altas e aquele silêncio de revista de decoração. Bastou descer um lance de escada para descobrir que a casa, na verdade, já estava de pé fazia tempo.Ouvi água correndo, panela, passos rápidos, uma porta abrindo e fechando. O cheiro de café vinha da cozinha como um chamado religioso. Entrei ainda prendendo o cabelo de qualquer jeito, com uma calça simples e uma camiseta minha. Nada de vestido, nada de crachá, nada de esposa pública. Se eu ia conhecer as entranhas da mansão, pelo menos queria estar vestida como alguém que podia encostar numa bancad
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