Eu não conseguia parar de olhar para ele.Victor estava ali, na minha frente, mancando, sangrando, a arma ainda na mão como se fosse parte do corpo dele. O sangue escorria pelo braço, manchando o terno, pingando no chão da loja. E ele nem parecia sentir. Como se estivesse acostumado.Deus do céu, ele está acostumado.Meu estômago embrulhou. Não era nojo. Era medo. Um medo profundo, primitivo, que se instalou nos meus ossos e não queria sair.Quem era aquele homem?Eu contratei um marido na internet. Um falido. Um vagabundo charmoso. Alguém que ia fingir me amar por um ano e depois sumir.Não um assassino.Não um homem que atira em desconhecidos como quem pede um café.— Isadora — ele chamou, a voz baixa. — Precisamos ir.Minha boca estava seca. Minhas pernas tremiam. Mas eu assenti. Porque ficar sozinha naquele posto, com o homem caído gemendo do lado de fora, era pior.Muito pior.Ele se virou para o frentista, que ainda estava encolhido atrás do balcão, as mãos na cabeça, o corpo to
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