Eu não conseguia dormir.
Não que fosse novidade. Fazia dias – semanas? – que o sono vinha picado, raso, cheio de pesadelos que eu esquecia assim que abria os olhos. Mas aquela noite era diferente. O peso não estava no corpo. Estava no peito.
Victor tinha ido para a sala. O computador fechado. A luz apagada. Eu ouvia o silêncio vindo lá de fora – nenhum teclado, nenhuma respiração pesada. Só o vento na janela.
Levantei.
O chão rangeu sob meus pés descalços. A porta do quarto estava entreaberta.