Três dias. Esse foi o tempo exato que eu levei para mapear a rotina daquele zoológico sem cerca. Eu andava pelo acampamento de cabeça erguida, ignorando os rosnados baixos e os olhares que queimavam as minhas costas. Comi da panela deles, lavei o rosto na água fria do igarapé e gravei cada turno de guarda, cada ponto cego, cada falha de ronda. Quem sobrevive na feira da Panair aprende rápido onde o dinheiro troca de mão e onde o vigia dorme. Na selva, a regra era a mesma. A bomba estourou no final da tarde do terceiro dia. O sol estava caindo, pintando o céu do território daquele laranja sujo de fumaça, quando o pátio principal encheu. Não era a movimentação normal de fim de expediente. Era uma roda. Mais de quarenta pessoas em pé, formando um círculo largo no chão de terra batida. No centro, de braços cruzados e com aquela postura de muralha impenetrável, estava Caruã. Juma estava um passo atrás dele, a cara fechada como sempre. Eu estava encostada na parede da minha cela de ced
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