Mauro trancou a porta.O som da fechadura pareceu pequeno demais para o que significava. Do lado de fora, havia Jeremias, a Noir, a polícia, Leônidas, Celina, Helena, arquivos escondidos, protocolos, ameaças e uma quantidade absurda de gente tentando transformar a minha vida em alguma coisa que eu não controlava. Do lado de dentro, havia Mauro. Ferido, com raiva, exausto, perigoso para mim de todos os jeitos que não apareciam em relatório nenhum.Ele ficou parado perto da porta por alguns segundos, de costas para mim, como se precisasse respirar antes de virar. Eu também precisava. Só que eu já tinha passado tanto tempo respirando medo que, quando ele finalmente me olhou, meu corpo confundiu aquilo com alívio.— Isso não resolve nada — ele disse.— Eu sei.— Amanhã a gente ainda vai ter que abrir aquele envelope.— Eu sei.— Eu ainda vou te cobrar tudo. Cada mentira.— Eu sei, Mauro.Ele soltou uma risada baixa, cansada.— Você sabe muita coisa para alguém que faz tanta merda.— É um
Leer más