Mauro ficou olhando para a tela como se o nome da mãe tivesse atravessado o peito dele e saído pelas costas. Helena Ventura. Até então, ela era quase uma sombra na história que ele me contara: a mãe que morreu cedo demais, a mulher da lembrança doce, a razão da tatuagem de lótus no pescoço. Agora, de repente, aquele nome aparecia no vídeo de um homem morto, ligado ao Relux, a Jeremias e a alguma coisa chamada “primeiro teste”.— Mauro — chamei, baixo.Ele não respondeu. Apenas pausou o vídeo com Leônidas ainda inclinado para a câmera, a imagem congelada num rosto assustado. Depois passou a mão pelo cabelo e se afastou da mesa, como se o notebook tivesse virado uma coisa perigosa demais para ficar perto.— Minha mãe não tinha nada a ver com a Noir — ele disse, mais para si mesmo do que para mim. — Pelo menos era isso que meu pai sempre dizia.— O que ele dizia?— Que ela odiava a empresa. Que não queria saber de perfume, laboratório, reunião, nada. Que era sensível demais para esse mund
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