A arma de choque disparou no mesmo instante em que Mauro empurrou a portinha do túnel com o ombro.O estalo cortou o ar, seco, horrível, e bateu na madeira atrás dele com um clarão azul. Eu senti o corpo de Mauro estremecer não pelo choque, mas pela proximidade. Por um segundo, achei que ele tinha sido atingido. Meu coração parou, ou fez alguma coisa parecida com isso, porque tudo dentro de mim gritou antes da minha boca conseguir.— Mauro!— Anda! — ele respondeu, puxando minha mão.Não havia espaço para pensar. O túnel era baixo, estreito e antigo, com paredes ásperas que arranhavam nossos braços enquanto corríamos meio curvados. Larissa ia na frente, iluminando o caminho com a lanterna do celular, tropeçando em fios soltos e xingando baixinho com uma sinceridade que quase me faria gostar dela em qualquer outro dia. Atrás de
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