O envelope estava aberto.
Essa foi a primeira coisa que meu cérebro conseguiu entender. A segunda foi muito pior: nenhum de nós tinha aberto. Eu e Mauro ficamos parados na entrada da sala, com a cidade acesa atrás das janelas e aquele pedaço de papel sobre a mesa como se tivesse vida própria. O apartamento, que minutos antes tinha sido um refúgio errado e quente, voltou a parecer um lugar cheio de olhos.
Mauro foi até a mesa, mas antes de tocar no envelope olhou ao redor. Eu também olhei, embor