— Nathalia — Mauro disse, devagar. — O que tem dentro da sua bolsa?Meu corpo inteiro travou. A alça escorregou um pouco pelo meu braço suado, e a bolsa pareceu pesar uma tonelada, como se aquele frasco minúsculo tivesse virado uma âncora. Jeremias estava ali, parado na recepção com aquele sorriso de homem que já sabia demais, os policiais observavam de longe, Larissa ainda chorava no sofá, e eu entendi que, se Mauro insistisse de verdade, se ele fizesse aquela voz de chefe ou aquele olhar de homem preocupado, talvez eu desabasse e contasse tudo. Mas eu não podia. Não depois da mensagem dizendo que ele seria o próximo.— Minhas coisas, Mauro — respondi, tentando soar irritada, porque talvez a irritação disfarçasse melhor o pânico.Ele não acreditou. Óbvio que não. Mauro podia ser mimado, arrogante e insuportável quando queria, mas burro não era. Ele olhou para a bolsa, depois para mim, depois para Jeremias, como se a presença do pai tivesse piorado tudo. E tinha. Jeremias parecia se di
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