O sol da manhã seguinte surgiu limpo, lavando as ruas após a tempestade da noite anterior. Na pensão de Dona Zilda, o cheiro de café fresco e pão na chapa preenchia os corredores, mas a paz de Helena foi interrompida por uma batida suave, porém firme, no portão. Eros estava lá. Ele não vestia o terno impecável de CEO; usava uma calça de sarja e uma camisa de linho azul clara, com as mangas dobradas. Em suas mãos, não havia pastas de documentos ou contratos, mas um buquê imenso de girassóis, tão vibrantes que pareciam carregar o próprio sol para dentro daquela rua cinzenta. Dona Zilda, ainda desconfiada, permitiu que ele entrasse no pequeno pátio. Helena saiu ao seu encontro, sentindo o coração vacilar diante daquela imagem. — Eu disse que traria girassóis — disse Eros, a voz suave, entregando as flores a ela. Seus dedos roçaram os dela por um segundo, e a eletricidade ainda estava lá, apesar de toda a dor. Eles se sentaram no banco de madeira sob a parreira, o mesmo lugar onde
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