O sol da tarde filtrava-se pelas imensas vidraças da mansão Cavalcanti, mas o ambiente não era mais aquele mausoléu de mármore e silêncio que Helena conhecera cinco anos atrás. Havia vida pulsando nos detalhes. Samanta passara os últimos dias numa frenética atividade amorosa, preparando cada centímetro da casa para o retorno da sua verdadeira dona. Tapetes antiderrapantes foram estrategicamente colocados, as arestas dos móveis protegidas e, o mais importante, o jardim de inverno fora transformado num santuário de girassóis e luz. A porta principal abriu-se, e o som das rodas da cadeira sobre o piso polido ecoou como um marco histórico. Eros empurrava Helena com uma delicadeza quase religiosa. Ela ainda estava pálida, os músculos dos braços e pernas ainda se recuperavam da força perdida para o tempo, mas o seu olhar era de uma lucidez cortante. Gabriel corria à frente, saltitando, como se estivesse apresentando a casa a uma convidada de honra. — Bem-vinda a casa, Helena — sussurrou Er
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