A chuva fina que começou a cair sobre São Paulo naquela noite trazia um frio que parecia emanar do próprio asfalto. Na pensão de Dona Zilda, o clima era de uma paz vigilante. Helena, após o jantar com Clara, sentia-se exausta, mas com uma clareza de espírito que não tinha há meses. Estar ali, ouvindo o som da chuva no telhado de zinco, era o lembrete de que sua dignidade não tinha preço de mercado.
No entanto, a calmaria foi quebrada pelo som de um motor roncando alto na rua estreita. Uma SUV p