CAIO— O bebê é meu? — A pergunta escapou antes que eu pudesse impedir.Não foi planejada. Não pensei nas palavras nem na forma como elas saíram. Simplesmente aconteceu.Durante todo o caminho entre o departamento médico e o estacionamento, minha cabeça trabalhou sem parar.As datas.A noite em São Paulo.O desaparecimento dela.A barriga que ela tentou esconder sempre que percebia meu olhar.Tudo parecia se encaixar perfeitamente e, mesmo assim, eu torcia para estar errado. Eu sempre sonhei em ser pai, mas agora, não era o momento certo. Minha vida inteira sempre foi organizada em temporadas. Mas, enquanto observava Amanda parada à minha frente, alguma coisa dentro de mim já estava preparada para ouvir um "sim".Ou talvez eu só estivesse tentando me convencer disso.O estacionamento do CT já estava quase vazio, o céu ganhava tons alaranjados. E, mesmo assim, eu só conseguia ouvir o próprio coração.Amanda não respondeu, apenas ficou imóvel. Seus olhos castanhos arregalados, os dedos
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