AMANDAFiquei alguns segundos parada, encarando a porta por onde Caio havia acabado de sair.O silêncio que tomou conta da sala parecia sempre maior depois que ele ia embora.Era estranho.Durante os atendimentos, tudo parecia simples.Eu me concentrava no cronograma de recuperação, corrigia sua postura durante os exercícios, discutia quando ele queria acelerar etapas e ria, contra minha própria vontade, das piadas que ele insistia em fazer.Naqueles quarenta ou cinquenta minutos, era fácil fingir que éramos apenas fisioterapeuta e paciente.O problema começava quando a porta se fechava.Porque era nesse instante que as lembranças voltavam.A noite em São Paulo.O quarto do hotel.A conversa despretensiosa no elevador.O jeito como ele me olhou pela primeira vez, sem saber quem eu era, sem esperar absolutamente nada de mim além de uma boa companhia.Eu nunca tinha planejado aquilo.Na verdade, durante meses, sequer consegui explicar para mim mesma por que aceitei subir para o quarto d
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