POV: GABRIELO visor do relógio na mesa de cabeceira marcava três e doze da manhã.Eu estava acordado fazia tempo.O quarto estava escuro, salvo pelo risco laranja do poste na rua entrando pela fresta da cortina. O ar-condicionado fazia um zumbido baixo, constante, daqueles que normalmente me ajudam a dormir e, naquela noite, só deixavam o silêncio mais nítido.Eu estava de barriga pra cima, com o braço jogado pra fora da coberta, sem sono nenhum.E, pela primeira vez em muitos anos, a insônia não tinha nada a ver com conselho europeu, balanço financeiro ou fuso horário de Lisboa.Eu só estava pensando.A minha vida antes dela funcionava. Isso era o pior e o melhor da coisa. Funcionava mesmo. Eu acordava, resolvia problema, batia meta, fechava projeção, dormia. Tinha dinheiro, tinha controle, tinha agenda cheia, tinha resposta pra quase tudo.Era uma máquina limpa.E, ainda assim, vazia em algum lugar que eu fingia não ver.Mari entrou nisso sem pedir licença.E a vida parou de só fun
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