Inicio / Romance / MEU CEO IMPOSSÍVEL / CAPÍTULO 96 - O Mês Que Eles Aprenderam
CAPÍTULO 96 - O Mês Que Eles Aprenderam

POV: MARI

Aquele mês de transição atropelou a gente, mas, pela primeira vez, não deixou feridos.

Na primeira semana, o modelo híbrido que o Gabriel enfiou goela abaixo do conselho alemão rodou na prática. Ele em Lisboa, eu em São Paulo. Fuso de quatro horas de diferença.

A dinâmica mudou. A gente parou de tentar simular uma rotina presencial por vídeo e começou a otimizar. As calls de uma hora, onde os dois ficavam dividindo a tela com planilhas e respondendo e-mails mudos, sumiram. Em vez disso, ele ligava às seis da tarde daqui, dez da noite lá.

Dez minutos cravados.

Era o tempo que ele precisava debaixo do chuveiro ou encostado na sacada do hotel no Chiado. Dez minutos com a atenção dele cem por cento cravada em mim. Ninguém olhava pro Slack. Ninguém checava notificação. E eu entendi, do jeito mais prático possível, que dez minutos do Gabriel presente e focado valiam infinitamente mais do que três horas dividindo um sofá com um fantasma corporativo.

Na segunda semana, a conta da Beatriz Moran liberou o saldo e a agência virou um caos controlado.

Fiz as rodadas finais para a primeira vaga sênior. Foram oito horas de entrevistas seguidas. No fim do dia, eu tava com as costas travadas, tomando o resto de um café amargo na minha sala, quando a tela do celular acendeu na mesa.

Como foi?

Sorri de lado, digitando com uma mão só enquanto esfregava a nuca com a outra.

Contratei a terceira.

A bolha verde do W******p piscou na hora.

A que você mais gostou ou a que era mais qualificada no papel?

Eu nem precisei pensar.

A que era absurdamente qualificada e que eu também gostei.

Bom.

Dei uma risada fraca, girando na cadeira executiva.

Você sabia que eu ia fazer exatamente isso. Fingiu que perguntou só pra checar.

A resposta dele demorou uns cinco segundos.

Aprendi a te conhecer.

Fiquei encarando o visor do celular. O peito leve. O coração batendo num ritmo tranquilo, sem ansiedade, sem aquele desespero de quem acha que o chão vai sumir a qualquer minuto. Bloqueei a tela, guardei o aparelho no bolso da calça e terminei de arrumar minhas coisas com um sorriso frouxo colado no rosto que a Tati com certeza ia usar pra me zoar amanhã.

Na terceira semana, a ponte aérea dele acabou.

Sexta-feira. Eu tava trancada na sala de reunião com o time de design há mais de uma hora.

Lá fora, na recepção, a cena se desenrolou sem eu ver, mas a Tati me contou cada detalhe depois, com aquele tom de puro deboche.

O elevador abriu e o Gabriel saiu. Direto de Guarulhos. Terno sem gravata, mala de bordo na mão, a cara de quem cruzou o oceano na classe executiva mas continuava querendo a própria cama.

Tati nem levantou os olhos do teclado quando ele parou no balcão.

— Ela tá em reunião — Tati avisou.

— Eu sei — a voz dele soou grave no escritório silencioso. — Só vim buscar o casaco que eu deixei aqui na semana passada.

Tati parou de digitar. Levantou a cabeça e avaliou o homem de um metro e noventa de cima a baixo.

— Não tem casaco nenhum seu aqui.

Gabriel não piscou. Olhou pra máquina de expresso no canto da copa.

— O café dessa máquina é muito melhor do que a burrada que o estagiário faz lá no meu andar.

— Mentira. É a mesma cápsula. E a água daqui tá com gosto de cloro desde ontem.

— Eu sei.

Tati cruzou os braços, finalmente vencida pela insistência do cara.

— Ela termina o alinhamento em vinte minutos, Gabriel.

Ele encostou o quadril na bancada, postura de quem era dono do prédio inteiro.

— Eu sei.

Tati suspirou, levantou e bateu um expresso pra ele. Ele ficou lá. Bebendo a água com cloro e esperando.

Vinte minutos cravados depois, eu abri a porta de vidro da sala de reunião, dispensando a equipe criativa. Bati o olho na recepção e travei o passo.

Minha respiração engatou.

Ele estava encostado na bancada, a camisa branca levemente amassada da viagem, o cabelo fora do lugar. Os olhos escuros me acharam no mesmo segundo. O cansaço no rosto dele pareceu derreter só de me ver.

Caminhei até ele, sentindo a sala inteira sumir.

— Você tá aqui — falei, a voz saindo mais baixa do que eu planejei.

— Vim buscar o meu casaco.

Parei na frente dele, perto o suficiente pra sentir o cheiro do perfume amadeirado misturado com aeroporto. Inclinei a cabeça.

— Você não deixou casaco nenhum aqui.

O canto da boca dele subiu devagar.

— Deixei agora.

Soltei uma gargalhada no meio da recepção. Tati bufou no fundo da sala, mas eu nem liguei. O apartamento dois andares pra cima finalmente ia voltar a fazer barulho.

No fim do mês, a vida já tava nos trilhos de novo.

O meu celular tocou num sábado de manhã. Era a Dona Isabel.

— Você tá bem — minha mãe soltou assim que eu atendi. Não foi pergunta. Era o radar materno escaneando minha voz em milésimos de segundo.

— Tô.

— Diferente de antes.

Apoiei o celular no ombro enquanto passava manteiga no pão de forma, encostada na ilha da cozinha.

— É. Diferente.

— Melhor?

Eu realmente parei pra pensar. Olhei pro resto da minha vida. Olhei pras brigas, pros e-mails não lidos, pra logística infernal de ter um namorado CEO e uma empresa escalando no mesmo trimestre.

— Mais honesto — respondi, pesando a palavra.

A minha mãe riu baixinho do outro lado da linha.

— É a mesma coisa.

Fiquei quieta, deixando a sabedoria de quem tinha vivido o triplo da minha vida assentar.

— Você vem pro Rio esse mês? — ela mudou de assunto com a sutileza de um trator.

Olhei pro aplicativo do calendário aberto no iPad em cima da bancada.

— Vou. Na semana que vem, pro alinhamento de fornecedores.

— Traz ele.

Virei a cabeça. Gabriel estava do outro lado da cozinha, de costas pra mim, sem camisa, vestindo só uma calça de moletom cinza, focado na missão impossível de regular a moagem do café.

— Eu já fui com ele, mãe. O cara é ocupado.

— Traz de novo. O Bruno quer reparar um negócio que ficou pendente da última vez que o rapaz pisou aqui em casa.

Apertei os olhos, sentindo o instinto de proteção de irmã acender.

— Que negócio? O que o Bruno fez?

— Ele que conta quando vocês chegarem. Pega o voo de sexta. Beijo.

E desligou na minha cara.

Fiquei encarando o visor do celular com a boca entreaberta.

Gabriel desligou o moedor. O barulho alto cessou. Ele virou pra mim, encostando na pia e cruzando os braços, exibindo os ombros largos e o peitoral desenhado pela luz da manhã.

— O que foi? — ele perguntou.

— Minha mãe. — Joguei o celular na bancada. — Quer que você desça pro Rio na semana que vem de novo. Meu irmão quer falar alguma coisa com você.

Ele não demonstrou surpresa. Não recuou. Não calculou a resposta. Apenas descruzou os braços e veio andando na minha direção, o passo lento e predatório.

— Eu tenho um parceiro de negócios no Rio.

Semicerrei os olhos, segurando o riso.

— Gabriel.

Ele parou na minha frente, invadindo o meu espaço pessoal de vez, as mãos segurando a minha cintura por baixo da camiseta velha que eu usava.

— É sério. Eu tenho.

— Você é muito cara de pau — sussurrei, passando os braços pelo pescoço dele.

— Eu sei. — O olhar dele desceu pra minha boca, a voz engrossando. — Sexta à noite a gente desce.

E eu, que passei a vida inteira controlando o próprio mapa, só fechei os olhos e deixei ele assumir a direção.

Nota da Autora:

Eu tô morrendo de amores por esse mês de ajustes deles! 🥺❤️ Alguém mais deu um gritinho quando ele brotou na agência com a desculpa do casaco? Faria Lima romântico existe sim, e a gente pode provar! Eles finalmente aprenderam a não competir com as agendas, mas sim a encaixar as vidas. E agora temos um mistério: o que o Bruno quer "reparar" com o Gabriel no Rio de Janeiro? Vem pedido por aí? Vem aliança de cunhados? Deixem os surtos e as teorias nos comentários, porque o próximo capítulo promete emoção carioca! 👇🔥☀️

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP