POV: MARI Na terça-feira à noite, eu cheguei no andar dele sentindo que um caminhão tinha passado por cima da minha coluna. Gabriel estava no sofá. A camisa social com as mangas dobradas até os cotovelos, o notebook no colo e o fone sem fio em uma orelha. Ele falava baixo, num inglês impecável e arrastado de cansaço, resolvendo algum incêndio do outro lado do oceano. Quando escutou a porta abrir, ele ergueu dois dedos na minha direção, sem desviar os olhos da tela. Fui direto pra cozinha. Larguei minha bolsa na bancada e fiquei ali, parada de frente pra geladeira de inox, esperando o meu cérebro voltar pro meu corpo. Não voltei pra sala. Puxei o meu próprio computador da bolsa, abri na ilha de mármore e comecei a responder a enxurrada de e-mails da agência que eu tinha ignorado durante a tarde. Quando Gabriel finalmente fechou a tampa do Mac e tirou o fone, o relógio do micro-ondas já marcava quase meia-noite. Ele arrastou os pés até a cozinha, esfregando o rosto com as dua
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