POV: GABRIEL
O visor do relógio na mesa de cabeceira marcava três e doze da manhã.
Eu estava acordado fazia tempo.
O quarto estava escuro, salvo pelo risco laranja do poste na rua entrando pela fresta da cortina. O ar-condicionado fazia um zumbido baixo, constante, daqueles que normalmente me ajudam a dormir e, naquela noite, só deixavam o silêncio mais nítido.
Eu estava de barriga pra cima, com o braço jogado pra fora da coberta, sem sono nenhum.
E, pela primeira vez em muitos anos, a insônia