O som não deixava dúvidas.Não era coincidência.Não era alguém perdido.Não era erro.Era coordenação.Precisão.Intenção.Portas de carro se fechando em sequência, passos firmes sobre a terra úmida do lado de fora, o estalo seco de comunicação silenciosa entre pessoas que não precisavam falar alto para serem entendidas — tudo aquilo carregava uma familiaridade perturbadora, como se aquele cenário já tivesse acontecido antes, como se aquele momento fosse, na verdade, uma repetição.E, talvez, fosse.Clara foi a primeira a reagir.Não com pânico.Mas com reconhecimento.E isso foi ainda pior.— Eles não vieram procurar — disse, a voz mais baixa, mais controlada — eles vieram terminar.O peso da frase caiu como uma sentença.Irrecusável.Arthur se moveu imediatamente, indo até a janela quebrada, observando com cuidado, o corpo inteiro tenso, calculando, medindo, antecipando.— Quantos? — perguntou.Clara se aproximou um pouco, mas sem se expor.— Pelo padrão… — começou, observando tamb
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