Tia Sylvia recebe. Fico na sala de espera do hospital, os dedos trêmulos segurando o celular, enquanto a vejo sendo liberada pelos médicos. Ela, com os olhos um pouco pesados, mas um sorriso tímido no rosto, segue o enfermeiro até a saída. O ar lá fora é gelado, e me sinto como se estivesse num estado de suspensão, observando a vida se reorganizar, mas sem poder tocar ainda. Sigo ela até a casa, mantendo uma distância discreta, mas o coração apertado, porque sei que, por mais que ela tenha saído do hospital, ela vai voltar para um espaço onde a solidão pesa. Quando a vejo entrar na casa, respiro fundo e, pela primeira vez em dias, um fio de tranquilidade me atravessa. Mas, ao mesmo tempo, sei que não posso relaxar. Ela ainda vai precisar de mim, e eu não posso deixar essa vulnerabilidade dela desprotegida. Fico ali, em frente, por alguns minutos, até perceber que não posso fazer nada. Ligo o carro e dou ré, saindo da rua, deixando tudo para trás. Tento não pensar em como ela es
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