Os dias passam, mas não passam de verdade. Eles se acumulam, pesados, como se cada um trouxesse um resquício da noite anterior grudado em mim. Dormir virou uma espécie de roleta russa emocional: nunca sei se vou acordar descansada ou com o coração disparado, o corpo encharcado de suor e a sensação vívida de que ainda estou caindo. E, na maioria das vezes, eu ainda estou.
A casa, que antes parecia segura, agora carrega um silêncio estranho. Cada estalo da madeira, cada sombra que se alonga n