O escritório do meu pai na Rocinha cheirava a charuto e tensão. O ar condicionado no máximo não era capaz de esfriar o clima ali dentro. No centro da mesa, o Barão mantinha aquela postura de pedra, enquanto minha mãe, a Baronesa, permanecia ao lado dele com a elegância de quem lida com o caos todos os dias.Ao redor, o círculo de confiança estava completo: P.A., o braço direito do meu coroa e o homem que conhece cada beco desse estado; e Carlos, o cara que cuida das operações da minha mãe. Ao meu lado, JP, meu parceiro desde a época em que a gente jogava bola no asfalto e hoje o cara que fecha comigo em qualquer missão, assistia a tudo com o olhar atento, assim como o pai dele, P.A.— Desembucha, Carlos — o Barão ordenou, a voz saindo como um trovão baixo.Carlos jogou um envelope sobre a mesa.— A informação veio quente do asfalto, Barão. O tal do Douglas, o Secretário de Segurança, mudou o foco. Ele percebeu que bater de frente com a Rocinha agora é suicídio, então ele quer atingir
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