Mundo de ficçãoIniciar sessãoEle soltou minha mão devagar, mas continuou me olhando como se estivesse tentando decifrar alguma coisa.
— Então… Ive — ele disse, apoiando o copo na mesa ao lado. — você parece meio deslocada aqui. Levantei uma sobrancelha. — E você sempre analisa as pessoas assim ou eu sou um caso especial? O sorriso dele aumentou um pouco. — Talvez um pouco dos dois. Revirei os olhos, mas não consegui evitar um pequeno sorriso. — Convencido. — Observador — ele corrigiu. A música aumentou e algumas pessoas começaram a dançar perto da gente. Diego se inclinou um pouco para que eu pudesse ouvir melhor. — Primeira vez aqui? Assenti. — Dá pra perceber? — Um pouco. Cruzei os braços. — Por quê? Ele me analisou por um segundo antes de responder. — Porque todo mundo aqui parece saber exatamente onde quer estar… e você parece que está pensando em ir embora a qualquer momento. Por um instante fiquei em silêncio. Porque ele tinha acertado. — Talvez eu só esteja avaliando minhas opções — respondi. — E quais são elas? Dei de ombros. — Ir embora. — Péssima escolha. Inclinei a cabeça. — Ah é? E por quê? Ele deu um passo mais perto. Não era invasivo… mas era perto o suficiente para eu sentir o perfume dele. — Porque você acabou de me conhecer. Meu coração deu uma batida mais forte. — E isso deveria me convencer a ficar? Diego sorriu de lado. — Ainda não. Mas me dá alguns minutos. Soltei uma pequena risada. — Você sempre tem tanta confiança assim? — Só quando vale a pena. Por algum motivo, senti meu rosto esquentar um pouco. Olhei para o lado, tentando disfarçar, quando ele estendeu a mão novamente. — Vem. Franzi a testa. — Pra onde? — Dançar. Soltei uma risada curta. — Você definitivamente não me conhece. — Então essa é uma boa forma de começar. Olhei para a mão dele por alguns segundos. Uma parte de mim queria recusar. A outra… A outra parte estava curiosa demais. E foi essa parte que venceu. Coloquei minha mão na dele. Coloquei minha mão na dele. Por alguns segundos ficamos ali, parados no meio da festa, como se o resto do mundo estivesse acontecendo longe demais. Diego inclinou a cabeça na direção de um corredor lateral. — Vamos pra um lugar menos barulhento. Assenti sem pensar muito. Seguimos por um corredor iluminado apenas por algumas luzes fracas até chegar a uma área mais afastada da casa, perto de uma varanda onde quase não tinha ninguém. A música ainda dava pra ouvir, mas agora era só um som distante. Cruzei os braços, apoiando o ombro na parede. — Então… você sempre sequestra desconhecidas em festas? Ele soltou uma pequena risada. — Só as que parecem interessantes. Levantei uma sobrancelha. — E eu pareço interessante? Diego me observou por alguns segundos, com aquele olhar calmo demais. — Bastante. Meu coração acelerou um pouco, mas tentei não demonstrar. — Você nem me conhece. — Ainda. O silêncio que veio depois não foi estranho. Foi… intenso. Ele deu um pequeno passo para mais perto. — Você vai embora daqui a pouco, não vai? Soltei um suspiro. — Provavelmente. — Então é isso? A gente se conhece por cinco minutos e acabou? Dei de ombros. — Às vezes é melhor assim. Ele inclinou a cabeça, curioso. — Por quê? Respirei fundo antes de responder. — Porque eu provavelmente nunca mais vou te ver mesmo. O canto da boca dele levantou. — Isso parece um desafio. Balancei a cabeça. — Não. Só… realidade. Fiquei olhando para ele por alguns segundos antes de soltar uma pequena risada nervosa. — Então quer saber de uma coisa? — O quê? — Já que eu nunca mais vou te ver… Dei um passo na direção dele. — Acho que posso te beijar. Os olhos dele brilharam de surpresa e diversão ao mesmo tempo. — Essa foi a justificativa mais interessante que já ouvi. — Não se acostuma. E então eu simplesmente o beijei. No começo foi rápido, quase impulsivo… mas ele segurou minha cintura e me puxou um pouco mais para perto. O beijo ficou mais intenso por alguns segundos antes de nos afastarmos devagar. Meu coração estava batendo forte demais. Diego passou a mão pelos cabelos, sorrindo. — Definitivamente valeu a pena te conhecer. Revirei os olhos, tentando disfarçar o nervosismo. — Eu avisei que era só uma vez. Ele riu. — Sobre isso… Antes que eu perguntasse qualquer coisa, ele pegou meu celular da minha mão. — Ei! Mas ele já estava digitando. Alguns segundos depois devolveu o aparelho. — Agora não é mais só uma vez. Olhei para a tela. Um novo contato estava salvo. Diego. Balancei a cabeça, rindo. — Você é bem convencido. Foi quando algo na entrada da casa chamou minha atenção. Dois homens estavam conversando com algumas pessoas da festa. Meu estômago gelou. Eu reconhecia aqueles rostos. Amigos do meu pai. Um deles olhou diretamente na minha direção. E então me reconheceu. — Droga… — murmurei. — O que foi? — Diego perguntou. Segurei o braço dele. — Eu preciso ir embora. — Agora? — Agora. Ele franziu a testa. — Ive, o que aconteceu? Comecei a puxá-lo em direção à saída lateral da casa. — Eu estou fugindo da polícia. Por um segundo ele ficou em silêncio. Então começou a rir. — Eu sabia que tinha algo interessante em você. Revirei os olhos, nervosa. — Não é brincadeira! — Relaxa. Ele apontou para o lado de fora. Uma moto estava estacionada perto do portão. Diego pegou o capacete e montou nela. — Vem. — O quê? Ele olhou para mim com um sorriso desafiador. — Sobe na garupa. — Você vai me sequestrar agora? — Eu prefiro chamar de resgate. Olhei rapidamente para trás. Os homens já estavam vindo em direção à porta. Meu coração disparou. Sem pensar mais, subi na moto atrás dele. — Segura em mim — ele disse. Agarrei sua jaqueta no mesmo instante. O motor da moto rugiu. E alguns segundos depois estávamos saindo da festa, deixando tudo para trás. O vento da noite batia no meu rosto enquanto eu tentava entender uma única coisa: Como minha vida tinha virado de cabeça para baixo em menos de uma hora.






