Capítulo 5

A conversa tinha morrido há alguns minutos, mas o silêncio não era desconfortável; era carregado. Diego não estava mais jogado no sofá; ele estava sentado de lado, com o corpo virado para mim, me observando de um jeito que me deixava sem fôlego. Não era apenas desejo, era algo mais profundo, um olhar de quem estava tentando decorar cada detalhe do meu rosto.

— Por que você está me olhando assim? — perguntei, tentando manter o tom brincalhão, mas minha voz saiu quase como um sussurro.

Diego não sorriu. Ele estendeu a mão e, com as costas dos dedos, contornou lentamente a linha do meu maxilar, parando perto da marca que o corretivo ainda tentava esconder. Eu senti um arrepio percorrer minha espinha, não de medo, mas de uma vulnerabilidade que eu odiava sentir.

— Eu estou tentando entender... — ele começou, a voz grave e rouca, ecoando na sala vazia. — Como é que em menos de vinte e quatro horas você bagunçou tudo aqui dentro, Ive?

Eu engoli em seco. A intensidade nos olhos dele era quase dolorosa.

— Eu não baguncei nada, Diego. Você que apareceu na hora errada... ou certa demais.

Ele se aproximou mais, invadindo meu espaço pessoal até que eu pudesse sentir o calor vindo do peito dele. Diego segurou meu rosto com as duas mãos, me forçando a encarar aquele abismo escuro nos olhos dele. Naquele momento, ele não parecia o cara durão da moto; parecia alguém que tinha encontrado algo precioso e estava apavorado com a ideia de perder.

— Eu passei o dia todo pensando em você. No seu jeito, no seu cheiro... nessa sua mania de tentar ser forte o tempo todo — ele murmurou, o rosto a centímetros do meu. — Eu não sou de me prender, Ive. No meu mundo, se você se apega, você vira um alvo. Mas olha pra mim... eu estou aqui, arriscando tudo, só pra ganhar mais dez minutos do seu tempo.

A tensão entre nós era quase física, como um elástico esticado ao máximo. Eu via a luta interna dele: o herdeiro que precisava ser implacável contra o homem que só queria me proteger do mundo.

— Diego, a gente nem sabe quem o outro é de verdade... — eu tentei dizer, mas ele me calou encostando o polegar nos meus lábios.

— Eu sei quem você é aqui — ele disse, batendo levemente no meu peito, por cima do coração. — O resto? O resto é ruído. Se o mundo explodir amanhã, eu quero estar exatamente onde estou agora.

Ele me beijou de novo, mas não foi como os outros. Não houve pressa, nem agressividade. Foi um beijo lento, desesperado, que cheirava a entrega. Diego me apertou contra ele como se quisesse me fundir ao seu corpo, como se soubesse que, lá fora, éramos inimigos naturais, mas que ali dentro, ele já tinha se tornado meu maior aliado.

Ele estava totalmente rendido, e o pior de tudo é que eu sabia que estava indo pelo mesmo caminho.

O beijo foi ficando mais profundo, as mãos de Diego apertando minha cintura com uma urgência que me fez perder o chão. Por um segundo, eu quis esquecer as regras, os hematomas e o medo, mas o estalo de realidade veio como um balde de água fria.

Eu não podia. Não ali, não agora. Minha vida era um campo minado e eu ainda nem sabia se ele era um aliado ou outra explosão prestes a acontecer.

— Espera... — murmurei contra os lábios dele, empurrando seu peito com as mãos trêmulas. — Diego, para. Eu não posso.

Ele parou na hora. Estava ofegante, os olhos escuros de desejo e uma intensidade que me dava arrepios. Ele não ficou bravo, apenas continuou ali, me cercando com o corpo.

— Você tem que esperar o meu tempo — eu disse, tentando recuperar o fôlego e a dignidade. — As coisas não são tão simples assim pra mim.

Diego deu um passo para trás, passando a mão pelo cabelo, visivelmente tentando se controlar. Ele soltou um riso anasalado, mas não era de deboche, era de quem estava sendo vencido por algo maior.

— Tudo bem, Ive. Eu espero. Já te disse que tenho paciência, não disse? Mas não confunda paciência com desistência.

Eu ia agradecer, mas ele não tinha terminado. Ele deu um passo à frente, segurando meu rosto de novo, mas dessa vez com uma seriedade que me gelou o sangue.

— Namora comigo.

Eu pisquei, estática.

— O quê? Diego, a gente se conheceu ontem! Você ficou louco de vez? — Soltei uma risada nervosa, achando que era brincadeira. — Nem sabemos o sobrenome um do outro e você já quer namorar? Calma, você precisa de um freio.

Diego não riu. Ele inclinou a cabeça, me analisando com aquela certeza assustadora de quem comanda um império.

— Eu não preciso de sobrenome pra saber o que eu sinto quando olho pra você. Eu nunca senti essa porra antes, Ive. Ontem, hoje, amanhã... o tempo não importa. Eu sei o que eu quero. E eu quero você.

— Você está indo rápido demais — falei, me afastando um pouco, assustada com a intensidade dele. — Isso é loucura. A gente nem sabe se isso daria certo... nossas vidas são mundos diferentes.

Ele deu um sorriso de lado, um sorriso cheio de confiança e um toque de mistério que me fez estremecer.

— Pode achar estranho, pode pedir calma, pode fugir o quanto quiser... Mas escreve o que eu estou te dizendo: você vai ser minha mulher. Cedo ou tarde, você vai ser minha. Eu não aceito menos que isso.

Aquelas palavras ficaram vibrando no ar. "Você vai ser minha mulher". No mundo de onde eu vinha, isso soaria como uma ameaça. Mas vindo do Diego, com aquele olhar de adoração e posse, parecia uma promessa de resgate.

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