Capítulo 4

— Eu não posso, Diego! — repeti, sentindo o suor frio brotar na palma das mãos. — Entende o significado da palavra "não"?

Ele deu um sorriso de lado, aquele tipo de expressão de quem raramente ouve uma negativa e, quando ouve, a ignora.

— Entendo. Mas também entendo de paciência. Se você não pode agora, eu encosto a moto e espero você sair. Tenho o dia todo.

Meu desespero subiu de nível. Imaginei meu pai passando por ali em uma ronda oficial e vendo esse cara — que exalava uma autoconfiança perigosa — fazendo plantão na porta da minha faculdade. Eu ia entrar em combustão de tanto pavor.

Foi quando a Verônica, que observava a cena com uma expressão estranha, resolveu se aproximar. Ela não parecia surpresa em vê-lo ali; pelo contrário, havia um respeito cauteloso no olhar dela.

— O que você está fazendo aqui? — Verônica perguntou para ele. Ela não usou nomes, nem títulos, mas a voz dela estava baixa, quase contida.

Olhei de um para o outro, sentindo o ar ficar mais pesado.

— Espera aí... vocês se conhecem? — Minha voz saiu um pouco mais alta do que eu pretendia.

Diego apenas deu um aceno curto para Verônica, um reconhecimento silencioso que me deixou ainda mais confusa. Ele não explicou de onde a conhecia, e ela também não se deu ao trabalho de contar.

— O mundo é pequeno, Ive — ele respondeu, voltando os olhos intensos para mim.

— Pois é, amiga — Verônica completou, me lançando um olhar cúmplice. — E olha, se o problema é a chamada, relaxa. Você pode muito bem voltar para a próxima aula. Eu respondo por você se algum professor perguntar.

Eu pisquei, estática, olhando para a cara de pau dos dois. Diego soltou uma risada curta, o som vibrando no ar.

— Vocês estão de armação para cima de mim? É isso? — Perguntei, sentindo meu rosto esquentar. — Verônica, o que está acontecendo?

— Não é armação, Ive. É oportunidade — Verônica disse, me dando um empurrãozinho de leve no ombro, os olhos fixos na rua como se também vigiasse o perímetro. — Vai logo. Você está precisando de um ar que não seja o de dentro daquela sua casa. Eu cuido de tudo por aqui. Se... ele aparecer, eu te aviso.

Diego apenas levantou a sobrancelha, estendendo o capacete novamente. Ele não forçava, mas a presença dele ali era um convite que eu não conseguia ignorar.

— E aí, pequena fora da lei? Vai confiar na sua amiga ou vai ficar aqui esperando o tempo passar?

Eu olhei para o capacete, depois para a Verônica, que fazia um sinal discreto para eu ir. A sensação de perigo era real, mas a curiosidade sobre quem era aquele cara que fazia até a Verônica agir de forma tão cuidadosa era maior. Peguei o capacete, sentindo meu coração martelar contra as costelas.

A moto cortou as ruas com velocidade, mas desta vez Diego não parecia estar fugindo de ninguém. Ele subiu por caminhos que eu mal conhecia, longe do centro e da vigilância das viaturas do meu pai. Quando ele finalmente parou em frente a uma casa de muro alto, em uma rua surpreendentemente silenciosa, meu coração deu um solavanco.

— Por que a gente parou aqui? — perguntei, tirando o capacete e olhando desconfiada para a fachada discreta.

Diego desceu da moto com aquela calma irritante e me olhou de cima a baixo, um sorriso de lado brincando nos lábios.

— Aqui vai ser o nosso ponto de encontro, pequena. Um lugar onde o mundo lá fora não tem entrada.

Eu soltei uma risada nervosa, cruzando os braços e tentando manter a pose de quem não estava morrendo de medo e desejo ao mesmo tempo.

— Olha aqui, se você está achando que me trouxe aqui pro abate, pode tirar o cavalinho da chuva. Eu não sou presa fácil, não, viu?

Diego soltou uma gargalhada aberta, jogando a cabeça para trás. Ele deu um passo na minha direção, diminuindo a distância entre nós até que eu pudesse sentir o calor que emanava dele.

— Pro abate? — ele repetiu, a voz baixando um tom. — Não tinha pensado nisso... mas agora que você deu a ideia, não seria nada mau.

— Nem vem! — respondi rápido, sentindo meu rosto queimar, mas sem recuar. — Eu falei que a gente ia devagar, lembra?

— Eu lembro — ele murmurou, abrindo o portão e fazendo um sinal para eu entrar. — Mas "devagar" é relativo, Ive. Vem, entra logo antes que alguém passe e resolva fofocar pro seu pai.

Entrei na casa ainda com um pé atrás, os olhos correndo por cada detalhe da sala. Era um lugar moderno, limpo, mas que exalava uma masculinidade solitária. Eu estava prestes a abrir a boca para fazer mais uma piada defensiva e perguntar se ele morava sozinho, mas não tive tempo.

Assim que Diego fechou a porta e a trava deu o estalo final, o clima mudou. O deboche nos olhos dele deu lugar a uma intensidade que me fez perder o fôlego. Antes que eu pudesse formular qualquer frase sobre "irmos devagar", ele me prensou contra a porta.

As mãos dele espalmaram na madeira, uma de cada lado do meu rosto, e ele não pediu licença. Diego lascou um beijo em mim que pareceu uma resposta a todas as perguntas que eu ainda não tinha coragem de fazer. Foi um beijo urgente, possessivo, que calou todas as minhas desculpas e me fez esquecer, por alguns segundos, de cada hematoma que ainda doía sob a minha roupa. Depois disso entramos e começamos a conversar.

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