Você está aqui para servir. Assim que melhorar começará suas obrigações.
Quando chegamos à sala, Lívia olha ao redor com atenção, como se estivesse entrando naquele espaço pela primeira vez. Talvez esteja. Seus olhos percorrem cada detalhe, cada móvel, cada sombra.— A casa é grande para um homem só — comenta, quase num sussurro, uma observação inocente que me atinge como uma flecha.— Herança dos meus pais — respondo, automaticamente, antes de pensar. Uma mentira. Comprei a casa pensando nela e em filhos. Uma vida que eu destruí.Ela para.— Verdade?— Sente-se — digo, simplesmente, cortando a conversa, desviando do abismo que se abria.Ela obedece, mas o olhar continua curioso, atento, como se algo dentro dela estivesse tentando despertar, tentando se reconectar com um passado que eu apaguei. Puxo a cadeira, coloco o prato à sua frente.— Obrigada — diz, a gratidão sincera demais, imerecida.— Não precisa agradecer — respondo, a voz ríspida. — Coma.Ela sorri de leve. Um sorriso pequeno, frágil, mas real. E é isso que me desarma. Não o corpo. Não o desej
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