HeloísaO despertador toca, mas eu já estou acordada há horas. A madrugada foi um tormento, cada minuto revivendo o beijo, a rejeição, a mão dele no meu rosto, aquele toque paternal que me fez ferver de raiva. “Não banque o tio, Heitor!” Minhas próprias palavras ecoam na minha cabeça, e a frustração me consome. Ele me deixou ali, sozinha, com a fúria e a humilhação me queimando por dentro. Como ele pôde? Como ele pôde me tratar como uma criança, depois de tudo o que sentimos, depois de tudo o que aconteceu?Levanto-me da cama com uma energia nervosa, quase febril. Tomo um banho rápido, a água quente tentando, em vão, lavar a raiva que sinto. Visto uma roupa qualquer, sem me importar com a combinação, e desço para a cozinha. Meu pai já está lá, lendo o jornal e tomando café. Minha mãe está preparando torradas, alheia à tempestade que se forma dentro de mim.— Bom dia, filha — meu pai diz, o sorriso no rosto. Ele parece realmente recuperado, e isso me dá um alívio momentâneo. Mas a culp
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